sábado, 18 de setembro de 2010

Taquara mostra crescimento habitacional e comercial sem infraestrutura

O bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, acaba de completar 416 anos e possui uma área territorial de cerca de 7580 hectares. Nessa longa jornada de urbanização, o 4º maior bairro do município sofre um processo de desmembramento. Seus sub-bairros, com economia e sistema habitacional bem desenvolvidos, destacaram-se e passaram a ser considerados bairros independes, como é o caso de Anil, Curicica, Cidade de Deus, Freguesia, Gardênia Azul, Pechincha, Praça Seca, Tanque e Taquara.

Cortada pelas principais vias de Jacarepaguá, a Taquara reúne as Estradas do Rio Grande e Rodrigues Caldas, onde há grande especulação imobiliária e estão sendo desenvolvidos novos empreendimentos com a construção de inúmeros condomínios residenciais, assim como os conhecidos "espigões" - grandes prédios com mais de 10 andares - e a Estrada dos Bandeirantes onde foi implantada a zona industrial de Jacarepaguá, com empresas de destaque como o laboratório farmacêutico Merck e a multinacional Coca-Cola.

Segundo informações da ACIJA – Associação Comercial e Industrial de Jacarepaguá, o Largo da Taquara, onde se cruzam a Avenida Nelson Cardoso, a Estrada dos Bandeirantes e a Estrada do Tindiba, forma um grande pólo econômico com restaurantes e lanchonetes, lojas dos mais diversos segmentos, escolas, consultórios médicos, escritórios e a maior concentração de agências bancárias de Jacarepaguá. Há, também, pontos de atuação governamental como os postos de assistência social, postos médicos, o Fórum de Justiça e a Delegacia Legal – 32ª DP.

Além de ser uma boa opção residencial e para o comércio, o bairro também abriga instituições como o Lar Frei Luiz, na Boiúna, o Campus R9 da Universidade Estácio de Sá, voltado à reabilitação física, e a Obra Social Dona Meca, com foco no auxílio a crianças com deficiência.

Porém, se tudo isso trouxe facilidades para a população, trouxe também as dificuldades. Junto com as comodidades, chegaram os problemas e, hoje, a Taquara é bastante conhecida pelo caos no trânsito e a ausência de políticas públicas básicas que pode ser observada pela falta de conservação das vias, com ruas sem calçada, muitos buracos nas pistas, semáforos frequentemente inativos e iluminação precária, além da falta de infraestrutura sanitária que apresenta rios poluídos e estradas sujas, sofrendo um contínuo problema com enchentes em épocas de muita chuva.

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Fotos por Nathália Pimentel
1 - Condomínio Residencial Reserva do Rio Grande - Estrada do Rio Grande, 1240
2 - Estrada Meringuava

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Caos no trânsito da Taquara gera transtornos a motoristas e pedestres

O Largo da Taquara, um dos pontos mais críticos da região de Jacarepaguá quando o assunto é o trânsito, concentra um grande congestionamento que já não tem hora para acontecer.

Além de ser uma das opções para entrada e saída da Barra da Tijuca, o que produz maior trânsito de veículos pelas principais vias do bairro, a Taquara vem sofrendo grande aumento na sua população devido à especulação imobiliária, resultando em mais engarrafamentos, principalmente na parte da manhã e no final do dia.

O descontentamento de moradores e de quem precisa transitar pelo bairro para chegar a outros destinos vem sendo apontado com freqüência. As várias horas perdidas nos engarrafamentos acarretam irritações e falta de tolerância dos motoristas e até dos pedestres, que também sofrem, pois precisam driblar os diversos carros parados sobre as faixas para conseguirem atravessar, além de enfrentarem diariamente o risco de serem atropelados por motocicletas que passam muito próximas ao meio fio.

A diarista Maria Arruda, 52 anos, que trabalha na Taquara e utiliza o transporte público para chegar ao trabalho, diz que muitas vezes preferiu descer do ônibus e ir andando para não chegar atrasada: “Eu moro na Gardênia. Levei uma hora e meia para conseguir chegar à Taquara. Tive que descer lá no Habib’s, na Estrada dos Bandeirantes, e ir andando mesmo”, contou.

Para quem não é morador, a opção é evitar o Largo da Taquara, ainda que para isso precise dar mais voltas. Como é o caso de Flávia Flores, 28 anos, que vem regularmente à Taquara para visitar os pais.

– Depois que me casei e fui morar no Recreio, sempre que venho visitar meus pais, eu me estresso com o trânsito. Por isso, eu prefiro vir pela Curicica do que enfrentar o Centro da Taquara. O caminho é maior, mas consigo um trânsito livre. Chego mais rápido e sem me aborrecer. – conta a dentista que é ex-moradora do bairro desde 2008.

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Fotos por Nathália Pimentel
1 - Estrada dos Bandeirantes - sentido Barra da Tijuca
2 - Estrada Rodrigues Caldas - sentido Largo da Taquara

Obra Social Dona Meca reabilita e reintegra crianças e adolescentes com deficiência

Instituição de caráter filantrópico, a Obra Social Dona Meca, situada na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro, atende gratuitamente crianças e adolescentes com diferentes tipos de deficiência, vindos de famílias de baixa renda de comunidades de todo o Rio de Janeiro e se mantém através da solidariedade de organizações e pessoas que colaboram com doações.

Segundo Paula de Souza, responsável pelo desenvolvimento institucional do Centro de Reabilitação, no primeiro semestre de 2010, foram realizados 218 atendimentos
com um trabalho multidisciplinar terapêutico e de integração social. Paula afirma que um dos principais objetivos da Obra Social Dona Meca é garantir que essas crianças sintam-se parte da sociedade: “Nosso objetivo é promover a habilitação e a reabilitação destas crianças, reconhecendo-as como seres integrais, favorecendo o pleno desenvolvimento de suas potencialidades e sua inclusão”.

O procedimento para ingresso na Instituição é feito através de um processo de triagem, avaliação social familiar e posterior encaminhamento à terapia ou à fila de espera. As crianças atendidas fazem diversas terapias, como fisioterapia motora, terapia ocupacional, hidroterapia, natação, fonoaudiologia, psicologia, psicomotricidade, comunicação suplementar e alternativa, entre outras. Além das crianças, as mães também são beneficiadas através de orientações e palestras, bem como acompanhamento psicológico e através de alguns tratamentos alternativos, como shiatsu, acupuntura, auriculoterapia, reiki e massoterapia, e, quinzenalmente, as famílias mais carentes recebem uma cesta básica.

A equipe de trabalho da Obra Social Dona Meca é composta por cerca de trinta funcionários contratados e de cem voluntários, porém, com o crescente número de crianças atendidas, a Instituição necessita aumentar a mão-de-obra voluntária.

– Necessitamos de voluntários de várias áreas profissionais, em especial na área de saúde. Também precisamos de voluntários que não possuam uma formação específica, mas que tenham o desejo de colaborar em tarefas como atendimento ao público, recepção, eventos, cantina, preparo da alimentação e limpeza – informou Paula.

Além da ajuda do voluntariado, a Instituição também recebe doações e desenvolve eventos beneficentes para a arrecadação de fundos para a casa. Durante todo o ano, são enviadas doações de brinquedos, fraldas descartáveis, alimentos, roupas e calçados, material de higiene pessoal e de limpeza, material de escritório, móveis, equipamentos e material utilizado para reciclagem. Um dos projetos da Obra Social Dona Meca é o Programa de Mãos Dadas, que tem como objetivo conseguir a ajuda financeira de pessoas e instituições por meio de um carnê ou boleto bancário. Nesse programa, o doador pode colaborar com a quantia que quiser, durante os doze meses do ano.

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Foto por Nathália Pimentel
E imagem de divulgação da Instituição

Desordem urbana traz riscos aos moradores da Taquara

Ao andar pelas ruas da Taquara, é possível observar muitos problemas causados pelo descaso do governo municipal. São ruas mal asfaltadas e sem calçadas, semáforos frequentemente inativos e iluminação precária, além de rios poluídos e estradas sujas, que causam enchentes em épocas de muita chuva.

Exemplo disto é a Estrada Rodrigues Caldas, que não possui calçada e nem acostamento em grande parte de sua extensão. No lugar disto, há apenas um trecho de terra, forçando os pedestres a andarem pela lama ou no canto da via, correndo risco de atropelamentos. E, se para a maioria dos pedestres isto já é complicado, para mães com carrinhos de bebê ou idosos e cadeirantes torna-se quase impossível de transitar pelo local.

E os transtornos não param por aí. Apesar de pagarem tarifa de iluminação pública, os moradores e transeuntes da Estrada dos Bandeirantes, em vários pontos de sua extensão, e das Ruas Caviana e Bacairis, entre outras tantas, permanecem sem iluminação, o que torna estes trechos perigosos tanto pelo risco de quedas e acidentes de trânsito, quanto por facilitar a possibilidade de assaltos.

Nos locais em que os problemas se acumulam, o risco é ainda maior. Gustavo Correia, 24 anos, morador do bairro, conta que no dia 28 de maio deste ano, quando estava voltando do trabalho, quase caiu em um dos buracos de uma calçada próxima ao Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária – Hospital Curupaiti, que fica no Tanque, próximo à Taquara.

– Desci do ônibus próximo ao Center Shopping porque resolvi ir andando, depois de 3 horas de um trânsito insuportável. Ao voltar andando, passei pela rua do Hospital Curupaiti e foi por pouco que não caí. Estava andando pela calçada de terra, com lama e mato, e pisei perto do buraco. Como não tem luz, não dava pra ver. E não tem nenhuma proteção no entorno ou algo que alerte os pedestres – lembrou o morador, com indignação.


* TV Estação Taquara

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Fotos por Nathália Pimentel
1 - Estrada Rodrigues Caldas
2 - Rua Godofredo Viana